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Aula de música

Música

Para a tradição, a técnica e a erudição são aspectos considerados essenciais para uma boa formação musical. Desde meados do século XX, entretanto, outro modo de ensinar e aprender música vem sendo aceito e valorizado. A fim de ampliar a percepção e a consciência do indivíduo e contribuir para a superação de preconceitos, posturas individualistas e visões de mundo dualistas, três eixos de trabalho fazem parte dessa nova prática: a apreciação, a performance e a criação musicais.

O ato de ouvir e apreciar músicas e canções consiste em receber estímulos sonoros, transformá-los em percepções e, então, inseri-las em nosso contexto mental (psíquico, afetivo, cultural, entre outros). Essa inserção se dá mediante a estruturação de novas configurações mentais. Nossa reação à música é, portanto, um ato de (re)criação. Segundo Moraes[1], a música atua por meio de três dimensões: a corpórea-sensorial, a afetivo-subjetiva e a estético-social. Essas dimensões são indissociáveis e integram aspectos fisiológicos, psicológicos e socioculturais.

A dimensão corpóreo-sensorial é epidérmica, está relacionada ao ritmo e é acompanhada pelo ato de dançar. Já a afetivo-subjetiva relaciona-se às sensações, lembranças, emoções e sentimentos e é difícil de definir verbalmente. A estético-social, por sua vez, envolve a apreciação musical baseada em determinadas estruturas e formas estéticas compartilhadas e é estabelecida histórica e socialmente por meio do contato com diferentes músicas e canções.

O jogo e a brincadeira permitem que os estudantes do Ensino Fundamental realizem experimentações com materiais sonoros, instrumentos musicais, o corpo e a voz. Ao participar desse tipo de sensibilização, eles desenvolvem habilidades relacionadas tanto à escuta musical como à performance e à criação. A escuta sonora e musical desenvolve aquilo que Murray Schafer[2] chamou de “ouvido pensante”: mais do que simplesmente ouvir, a escuta atenta e sensível leva os estudantes a perceber, analisar e refletir sobre o mundo a sua volta e sobre as produções musicais.

A performance, por sua vez, não é tratada como atividade delegada apenas a instrumentistas talentosos ou “gênios” musicais, mas como uma atividade criativa e ativa, o que inclui a participação envolvida e comprometida dos estudantes.

Nessa perspectiva, a improvisação e a composição mais complexa são equivalentes na criação musical. Isso quer dizer que a criação musical se relaciona a uma organização de ideias que podem ou não seguir princípios de estilo. Mais uma vez, o engajamento dos estudantes é essencial: é preciso ter consciência de que se está criando uma sequência de sons e ter essa intenção, além do fato de essa sequência conseguir expressar seus pensamentos e emoções. Para Hans-Joachim Koellreuter[3], a improvisação está sempre relacionada com a autodisciplina, a concentração, o trabalho em equipe, a memória e o senso crítico.

[1] MORAES, José J. de. O que é música. 7. ed. São Paulo: Brasiliense, 1991.

[2] SCHAFER, Murray. Le paysage sonore. Marseille: Wildproject, 2010.; Idem. O ouvido pensante. 3. ed. São Paulo: Editora da Unesp, 2013.

[3] KATER, Carlos. Música Viva e H. J. Koellreutter: movimentos em direção à modernidade. São Paulo: Musa/Atravez, 2001.

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